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“Amanhã talvez esse temporal saia do caminho..”

 

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Quando a dor não te deixa pensar, falar ou escrever..

 

“Amanhã talvez

        esse vendaval

                      faça algum sentido..”

 

 

Mar

Quando se pensa em mar se lembra de sol brilhante, água de côco, alegria,areia, domingo…

Hoje é domingo e o mar que eu vi, é aquele que assusta, o mar triste e acompanhado de choro..

Mais um domingo de pesadelo com mar.

 

“Busque mesmo que no vento, palavras de alento quando as bocas que estiverem mais próximas não falarem mais para você.Busque palavras estas, que digam com sinceridade, e proponham finalmente a serenidade, a paz, a calma que tanto merece.Busque, sem parar, sem fim. Grite e escute a própria voz que sai da sua boca. Boca esta, que fala como você gostaria que falassem com você.Sim, sua voz. Música, canção, melodia que reconhece como parte sua. Algo que não lhe fará mal.Escute o eco, e procure sua origem. Vire-se de um lado para outro e deleite-se com a perfeita paz de seu próprio alento.Porém, se a audição apurares, verás que o teu alento não volta de forma ímpar.Verás que lhe é chegado um outro alento, vindo de uma boca, que não a sua.Uma boca que fala teu nome com paixão, que reza todos os dias por você, que no meio de toda a sua solidão vem te acalentar.Boca que chama, reza, beija e se abre em um sorriso pleno quando vê esta mesma luz saltar dos lábios teus.Então o mundo fará parte de um todo consciente na intenção de deixar de lado o fardo pesado de um passado indo rumo à novos horizontes no presente.E a partir de então, perceberás que a solidão não é mais a sua única companheira, e também que esta mesma boca que te chamou, acalentou e rezou por você, estará sempre do seu lado para te iluminar com um sorriso igual ao teu quando precisar…”(A.Alex.B.C.)

 

E é em meio a esta solidão, sem bocas, vozes, ventos, horizontes, que me escondo dentro de um mundo totalmente meu, iludido de possibilidades, crente na grandeza do amor fraterno. Perdida por um motivo e procurando vários outros para me encontrar. Seguir ditando passo a passo o caminho de algum canto que ainda não cheguei e nem sei se chegarei. Vendar os olhos e o coração para passar despercebida por uma multidão de desconhecidos e chegar ao final e poder dizer; é, acho que vivi.

 

PARABÉNS!!

Rua,
Espada nua
Boia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração

Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Me dá tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza

Solidão não é a falta de gente para conversar,
namorar, passear ou fazer sexo…
isto é carência.


Solidão não é o sentimento que experimentamos
pela ausência de entes queridos que não podem mais voltar…
isto é saudade.


Solidão não é o retiro voluntário que a gente se impõe, às vezes, para realinhar os pensamentos…
isto é equilíbrio.


Solidão não é o claustro involuntário que o destino nos impõe compulsoriamente para que revejamos a nossa vida…
isto é um princípio da natureza.


Solidão não é o vazio de gente ao nosso lado…
isto é circunstância.

Solidão é muito
mais do que isto.
Solidão é quando nos
perdemos de nós mesmos
e procuramos em vão
pela nossa alma.


 

 

Sutilmente

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Rifa-se um coração
Rifa-se um coração quase novo.
Um coração idealista.
Um coração como poucos.
Um coração à moda antiga.
Um coração moleque que insiste
em pregar peças no seu usuário.
Rifa-se um coração que na realidade está um
pouco usado, meio calejado, muito machucado
e que teima em alimentar sonhos e, cultivar ilusões.
Um pouco inconseqüente que nunca desiste
de acreditar nas pessoas.
Um leviano e precipitado coração
que acha que Tim Maia
estava certo quando escreveu…
“…não quero dinheiro, eu quero amor sincero,
é isso que eu espero…”.
Um idealista…Um verdadeiro sonhador…
Rifa-se um coração que nunca aprende.
Que não endurece, e mantém sempre viva a
esperança de ser feliz, sendo simples e natural.
Um coração insensato que comanda o racional
sendo louco o suficiente para se apaixonar.
Um furioso suicida que vive procurando
relações e emoções verdadeiras.
Rifa-se um coração que insiste em cometer
sempre os mesmos erros.
Esse coração que erra, briga, se expõe.
Perde o juízo por completo em nome
de causas e paixões.
Sai do sério e, às vezes revê suas posições
arrependido de palavras e gestos.
Este coração tantas vezes incompreendido.
Tantas vezes provocado.
Tantas vezes impulsivo.
Rifa-se este desequilibrado emocional
que abre sorrisos tão largos que quase dá
pra engolir as orelhas, mas que
também arranca lágrimas
e faz murchar o rosto.
Um coração para ser alugado,
ou mesmo utilizado
por quem gosta de emoções fortes.
Um órgão abestado indicado apenas para
quem quer viver intensamente
contra indicado para os que apenas pretendem
passar pela vida matando o tempo,
defendendo-se das emoções.
Rifa-se um coração tão inocente
que se mostra sem armaduras
e deixa louco o seu usuário.
Um coração que quando parar de bater
ouvirá o seu usuário dizer
para São Pedro na hora da prestação de contas:
“O Senhor pode conferir. Eu fiz tudo certo,
só errei quando coloquei sentimento.
Só fiz bobagens e me dei mal
quando ouvi este louco coração de criança
que insiste em não endurecer e,
se recusa a envelhecer”
Rifa-se um coração, ou mesmo troca-se por
outro que tenha um pouco mais de juízo.
Um órgão mais fiel ao seu usuário.
Um amigo do peito que não maltrate
tanto o ser que o abriga.
Um coração que não seja tão inconseqüente.
Rifa-se um coração cego, surdo e mudo,
mas que incomoda um bocado.
Um verdadeiro caçador de aventuras que ainda
não foi adotado, provavelmente, por se recusar
a cultivar ares selvagens ou racionais,
por não querer perder o estilo.
Oferece-se um coração vadio,
sem raça, sem pedigree.
Um simples coração humano.
Um impulsivo membro de comportamento
até meio ultrapassado.
Um modelo cheio de defeitos que,
mesmo estando fora do mercado,
faz questão de não se modernizar,
mas vez por outra,
constrange o corpo que o domina.
Um velho coração que convence
seu usuário a publicar seus segredos
e a ter a petulância de se aventurar como poeta

Clarice Lispector

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